Sábado, 31 de Maio de 2008

"D. Fernando Infante de Portugal" - "Mensagem"

mensagem

 Deu-me Deus o seu gládio, por que eu faça

A sua santa guerra.

Sagrou-me seu em honra e em desgraça,

Às horas em que um frio vento passa

Por sobre a fria terra.

 

Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me

A fronte com o olhar;

E esta febre de Além, que me consome,

E este querer grandeza são seu nome

Dentro em mim a vibrar.

 

E eu vou, e a luz do gládio erguido dá

Em minha face calma.

Cheio de Deus, não temo o que virá,

Pois, venha o que vier, nunca será

Maior do que a minha alma.

 

                                                                                             Fernando Pessoa

 

Este poema é um auto-retrato de D. Fernando. As marcas de discurso de 1ª pessoa são os pronomes pessoais me (vv. 1, 3, 6, 8), eu (vv. 1, 11) e mim (v. 10); determinante possessivo minha (vv. 12, 15); formas verbais na 1ª pessoa do singular: vou (v. 11) e temo (v. 13).

 

Os versos 1-3 e 6-7, entre outros confirmam que D. Fernando é retratado como instrumento da vontade de Deus.

 

O gládio simboliza o poder com que Deus investe o herói para que ele possa fazer cumprir o destino de Portugal.

 

Em consequência da acção divina, o "eu" é consumido por uma "febre de Além" (v.8). Essa febre participa, como o gesto a que conduz, da predestinação divina do herói. É algo que lhe é dado, que faz parte da sua própria condição, como ser depositário de um destino que se cumpre através dele, como acontece com D. Fernando.

Mesmo nos casos onde o grande empreendimento a que se propuseram falhou, os heróis na Mensagem mantêm viva a chama do desejo e do sonho, impulsionados por essa febre dev fazer, de descobrir, de criar, a que se juntam o seu destemor confiante por se sentirem cheios de Deus.

Dir-se-ia, em suma, que nessa "febre de Além", nessa ânsia de Absoluto, reside um dos aspectos mais importantes da exemplaridade do herói na Mensagem

 

Essa "febre de Além" impele o herói à acção - o que se concretiza na 3ª estrofe.

 

Os três últimos versos do poema exprimem o destemor e a confiança com  que o herói se lança na acção por se encontrar imbuído do espírito de Deus. Não importa se essa acção se concretizará ou não em obra feita, o que interessa é a própria acção.

 

publicado por novosnavegantes às 22:46
link do post | favorito
De biggie G a 4 de Janeiro de 2016 às 14:05
sta fixe
De miguelde4 a 4 de Janeiro de 2016 às 14:06
és mm bom quero ver se é mm grande :$$
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