Domingo, 17 de Fevereiro de 2008

"Recados da Mãe" de Maria Teresa Maia Gonzalez

Esta obra fala-nos de duas irmãs, Clara e Leonor, filhas de pais separados, com apenas dez e seis anos de idade, que perderam a mãe, ficando assim órfãs.
Certo dia, acabadas de sair da escola, esperavam pela mãe, como era habitual, mas a mãe não apareceu. Tinha morrido.
livrosPosto isto, a vida delas mudou completamente, primeiro foram viver com o pai, durante pouco tempo, com quem não viviam desde a separação, mas as condições da casa não permitiam a entrada de mais duas pessoas. Foi então, nas férias do Verão, que se mudaram para Coimbra para viverem com a avó materna, na Quinta do Chorão, com quem nunca tinham tido qualquer tipo de contacto.
Os dias eram passados a brincar nos jardins, a aproveitar o espaço de que ambas dispunham, as noites sim, essas eram difíceis, aí as saudades pareciam aumentar, e numa tentativa de diminuir a falta que Leonor sentia da mãe, Clara, todos os dias de manhã, dizia ter sonhado e falado com a mãe.
A relação entre Clara e a avó Matilde não era a mais desejada, entrando muitas vezes em conflito, levando a que tentassem fugir de casa para irem ter com o pai a Lisboa.
Na quinta, tinham lições de catequese, iam à igreja… A avó tentava assim transmitir-lhes os seus conhecimentos religiosos, despertando nelas algum interesse, que mais tarde foi bem visível em Clara.
Aproximava-se o início do novo ano lectivo. A avó levou as duas netas a Coimbra para comprarem todas as coisas necessárias para que pudessem dar entrada no colégio de Santa Isabel daquela cidade, como alunas internas.
Esse dia chegou, acompanhadas pela avó e por Plácido, as meninas foram deixadas a cargo de uma freira, que lhes ia mostrar o quarto, assim como todos os locais que compunham aquele colégio.
Naquele lugar reinava o silêncio, que perturbava Leonor. O mesmo não acontecia com Clara que, para quem, desde os primeiros momentos, a capela passou a ser o centro das suas atenções e o seu refúgio. De aluna excelente, passou a ser apenas razoável, estudando pouco mais do que o indispensável para obter notas positivas. Deixou de ser uma rapariga comunicativa e passou a comportar-se de forma muito discreta. Mas continuava sempre atenta e preocupada com o bem-estar da irmã.
Todas as noites, pois era nessa altura final do dia que elas mais falavam por estarem juntas, a mãe era sempre relembrada, assim como o sonho de terem uma casa igual à da avó, mas esta com paredes cor-de-rosa.
No primeiro mês, os fins de semanas não podiam ser passados em casa, como faziam os restantes alunos do colégio, com o objectivo da adaptação ser mais fácil. A situação inverteu-se e, com o passar dos meses, lá estavam elas a contar histórias e a brincarem.
Os anos foram passando. Com catorze anos, Leonor não fazia a menor ideia do que queria ser um dia mais tarde, mas Clara tinha já feito a sua escolha, embora a avó planeasse para ela um curso de professora, para exercer num liceu ou colégio de Coimbra.
Aos vinte e um anos, depois de completar os estudos, Clara comunicou à avó e à irmã que queria ser missionária e que brevemente viajaria para África onde aplicaria os conhecimentos que tinha adquirido, junto de crianças órfãs, em Moçambique ou noutro país qualquer onde a sua presença pudesse ser útil.
A avó ficou estupefacta com tal escolha e Leonor saiu da sala onde se encontravam, revoltada com a notícia da irmã, pensando que o facto de terem frequentado um colégio de freiras tivesse tido influência para aquela decisão, mas depressa concluiu que era a vocação da irmã.
Leonor continuou a viver em casa da avó e, após a sua morte, a casa foi remodelada e as paredes foram pintadas da cor que ambas sonhavam aquando da estadia no colégio.
Clara, após a ida para Moçambique, veio a Portugal apenas uma vez, para ser madrinha da primeira filha adoptiva da sua irmã. Regressou novamente passados vinte anos, para o casamento da afilhada.
Opinião acerca da obra:
 
Esta história remete-nos para a situação de milhares de crianças, que ficam órfãs.
Estas personagens tiveram a sorte de ter alguém com possibilidades que pudesse acolhe-las e proporcionar-lhes uma boa vida, porque todos nós sabemos que existem crianças sem pais e que são postas ao abandono, ingressando assim para instituições de acolhimento.
Estas casas, por melhores instalações e pessoal que tenham, nunca vão substituir o amor de mãe e pai, porque apesar do bem-estar que elas oferecem, há uma coisa que estas crianças não conhecem… a felicidade de ter uma família!
Vanessa Jerónimo
publicado por novosnavegantes às 22:58
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