Domingo, 1 de Junho de 2008

"Prece" - "Mensagem"

mensagem

O texto refere-se explicitamente a um «nós»: "Restam-nos", "a vida em nós", "que seja nossa". "Nós" = eu + os outros portugueses.

 

O sujeito poético apresenta-nos um Portugal dcadente, marcado pela indolência, pelo "silêncio hostil", pelo apego às coisas materiais, sem capacidade de sonhar ("a alma é vil"), em contraste com a "tormenta e a vontade" do passado.

 

A repetição de "ainda" reforça a ideia de que nada está perdido, de que a chama da esperança pode ser ateada (v. 8), por acção do vento, isto é, de uma mudança de atitude.

 

Em consonância com o título, o sujeito poético, em tom de súplica, pede que um «sopro» divino ajude a atear a "chama do esforço", ainda que se tenha de pagar com «desgraça» ou suportar o peso da "ânsia".

 

Os últimos versos deste poema fazem eco dos versos "Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal!" do poema "Infante".

 

À expressão "mas que seja nossa", subjaz a ideia de que é preciso reencontrar a identidade e o prestígio nacional perdidos.

 

 

publicado por novosnavegantes às 18:38
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"Padrão" - "Mensagem"

mensagemA técnica escolhida pelo "eu" para falar do «padrão» é partir do geral para o particular: deixa o padrão no area (1ª quadra); apresenta a simbologia geral do padrão  (2ª quadra); refere o valor das «Quinas» (3ª quadra) e da «Cruz» (4ª quadra).

 

Subjaz ao último verso de cada quadra a ideia da eterna procura ("para diante"; "o por-fazer"; "o mar sem fim"; "sempre por achar") que se liga à "febre de navegar", à ânsia, à insatisfação.

 

Mais importante do que a imperfeita obra realizada é o "por-fazer", é a necessidade de navegar "para diante" , no "mar sem fim", na demanda do "porto sempre por achar".

 

"Navegar não pode ser entendido apenas no sentido literal. No poema, surge, também, como metáfora de toda a procura.

 

Embora "ousada", a "obra é [sempre] imperfeita", por isso a exemplaridade do herói reside, sobretudo, na sua atitude de permanente insatisfação diante do já feito. É isto que o eleva acima da medida humana comum.

 

O "eu" do poema é um herói predestinado: "A alma é divina", "O por-fazer é só com Deus", "Só encontrará de Deus [...] / O porto sempre por achar".

 

O padrão não assinala a viagem conseguida, pois o importante não é chegar é partir. O padrão é o «marco sempre penúltimo da viagem começada».

 

publicado por novosnavegantes às 14:52
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"Horizonte" - "Mensagem"

Ó mar anterior a nós, teus medos

Tinham coral e praias e arvoredos.

Desvendadas a noite e a cerração,

As tormentas passadas e o mistério,

Abria em flor o Longe, e o Sul sidério

'Splendia sobre as naus da iniciação.

 

Linha severa da longínqua costa -

Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta

Em árvores onde o Longe nada tinha;

Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:

E, no desembarcar, há aves, flores,

Onde era só, de longe a abstracta linha.

 

O sonho é ver as formas invisíveis

Da distância imprecisa, e, com sensíveis

Movimentos da esp´rança e da vontade,

Buscar na linha fria do horizonte

A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -

Os beijos merecidos da Verdade.

 

                                 Fernando Pessoa

 

 mensagem

 

O horizonte é símbolo do indefinido, do longe, do mistério, do desconhecido, do mundo a descobrir, do objectivo a atingir.

 

Através da apóstrofe inicial, "Ó mar anterior a nós", o sujeito poético dirige-se ao mar desconhecido, ainda não descoberto/navegado.

 

Na 1ª estrofe encontramos uma oposição implícita. A oposição refere o mar anterior aos Descobrimentos portugueses ("medos", "noite", "cerração", "tormentas", "mistério" - substantivos que contêm a ideia de desconhecido, que remetem para a face oculta da realidade) e o mar posterior a esse feito ("coral e praias e arvoredos", "Desvendadas", "Abria", "´Splendia" - palavras que contêm a ideia de descoberta).

 

A expressão "naus da iniciação" (v. 6) é uma referência às naus portuguesas que, impulsionadas pelos ventos do "sonho", da "esp'rança" e da "vontade", abriram novos caminhos e deram início a um novo tempo.

 

A segunda estrofe é essencialmente descritiva. Essa descrição é feita por aproximações sucessivas, de um plano mais afastado para planos mais próximos: - [Ao longe] a "Linha severa da longínqua costa" (= o horizonte); [Ao perto] "Quando a nau se aproxima, ergue-se a encosta / Em árvores"; "Mais perto", ouvem-se os "sons" e percebem-se as "cores"; "no desembarcar" vêem-se "aves, flores".

 

O sujeito poético, na última estrofe, apresenta uma definição poética de sonho: O sonho é ver o invisível, isto é, ver para lá do que os nossos olhos alcançam (ver longe); o sonho é procurar alcançar o que está mais além (é esforçar-se por chegar mais longe); o sonho é alcançar/aceder à Verdade, sendo que esta conquista constitui o prémio de quem por ela se esforça. De salientar, aqui, o uso do presente do indicativo - "é" - que confere, a estes versos, um carácter intemporal e programático.

 

No verso 1 da terceira estrofe temos o uso da antítese - ver/invisíveis.

 

Nos vesos 16-17 é reforçada a passagem do abstracto ao concreto. Essa passagem é reforçada pela acumulação, no verso 17, de nomes concretos, precedidos de artigos definidos: "A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte".

 

Este poema apresenta-nos o sonho como motor da acção dos Descobrimentos. É o sonho que, movido pela esperança e pela vontade, desperta no homem o desejo de conhecer, de procurar a verdade.

 

O título "Horizonte" evoca um espaço longínquo que se procura alcançar funcionando, assim, como uma espécie de metáfora da procura, como um apelo da distância, do "Longe", à eterna procura dos mundos por descobrir.

 

publicado por novosnavegantes às 14:12
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