Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

D. Sebastião e a Nação Portguesa

Aqui publico um texto de reflexão acerca de D. Sebastião elaborado pela Catarina Brás, no ano lectivo de 2006/2007, e que apresenta uma visão muito pessoal, mas bem fundamentada deste rei português. Eu, pessoalmente, gostei muito deste trabalho.

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Planificação:

 

 

Introdução:

 

ü     Perfil de D. Sebastião;

ü     A sua importância na sociedade Portuguesa;

 

Desenvolvimento:

 

ü     Contexto histórico aquando do nascimento de D. Sebastião;

ü     Realçar o facto de ser o mais novo Rei de Portugal a desvendar territórios desconhecidos;

ü     Os devaneios de D. Sebastião;

ü     A batalha derradeira, a batalha de Alcácer Quibir;

ü     As consequências desastrosas da sua morte;

ü     O aparecimento do Mito Sebastianista e a sua importância para o povo e consequentemente para Portugal;

ü     A literatura e a sua inspiração na figura de D. Sebastião / perpetuação do mito sebastianista.

 

Conclusão:

 

ü     D. Sebastião como um herói lendário e a sua extrema importância no cumprimento dos sonhos de Portugal.

 

Textualização:

         D. Sebastião foi o rei mais novo de Portugal. A sua bravura, valentia e coragem estão espelhadas no seu retrato.

         D. Sebastião, neto de D. João III, nasceu em Lisboa em 20 de Janeiro de 1554.

         Quando nasceu, Portugal encontrava-se sob o reinado de D. João III que já não ambicionava alargar o império luso preocupando-se somente com a ocupação de territórios já descobertos. Alguns escritores consideravam que esta atitude era “irreflectida” porque o povo português ambicionava a conquista de novos territórios e era importante alargar Portugal.

         Com a morte de D. João III, D. Sebastião, com três anos de idade, foi considerado Rei de Portugal; no entanto, só tomou posse do trono quando tinha 14 anos.

         Entretanto, mesmo junto às nossas fronteiras, crescia o sonho dos espanhóis de unir os reinos ibéricos.

         Como D. Sebastião era ainda muito novo e não possuía herdeiros, a vizinha Espanha acreditava e “suplicava” pela unificação dos reinos e sentia essa prioridade cada vez mais próxima.

         O valente Rei, ainda que muito jovem, lançava as suas “garras” na conquista das terras africanas, o que acabaria por ser fatal para a sua vida e para o território nacional.

         Assim, aventurou-se pelos territórios Africanos e partiu para a derradeira batalha. Do outro lado, Filipe II de Espanha reunia todos os seus esforços e ele próprio foi lutar pelo sucesso da empresa marroquina.

 

D. Sebastião era diferente. Tinha os seus devaneios e gostos pessoais. Dedicava-se às caçadas, aos exércitos religiosos, interessava-se pela leitura de livros de História principalmente pela História Portuguesa. O seu grande prazer era desafiar o perigo e fugia constantemente ao amor porque considerava este sentimento estúpido relativamente aos seus hábitos guerreiros.

Com todas estas características que compunham o seu perfil seguiu a 4 de Agosto de 1578 para a batalha de Alcácer Quibir. Sabendo que era inferior ao adversário, D. Sebastião lutou pela Pátria, estando consciente de que se morresse causaria um grande distúrbio na sucessão ao trono.

Este malogrado Rei desapareceu na batalha e as consequências da sua morte foram desastrosas para o reino português. “Senhor da sua vontade, não encontrou quem soubesse evitar a sua ida a Marrocos em 1578. A sua valentia física e a preparação militar pessoal não lhe deram qualidades de comando em campo, de que precisava. Por isso ficou na jornada de África”.

Como não deixou nenhum descendente luso, o reinado ficou finalmente nas mãos de Castela, sob o domínio dos Filipes.

A disputa pela sucessão tornou-se problemática porque se a união dos reinos interessava às classes privilegiadas, pelo contrário, essa união era totalmente rejeitada pelo povo porque tinha a tendência de colocar de lado tudo aquilo que era castelhano.

Portugal perdeu a independência e, com esta revolta, formou-se em torno do nome de D. Sebastião uma lenda em que o povo acreditava que este desejado rei iria voltar numa manhã de nevoeiro.

Criou-se, assim, o mito Sebastianista e ainda hoje nos apercebemos, nos momentos de crise, que o povo acredita que algo ou alguém irá surgir para resolver as suas angústias, o seu sofrimento e a sua falta de esperança.

Muitos escritores consideram que existe uma lógica no mito e como tal o Sebastianismo responde a esta lógica.

Os mitos “são temas que deram sustentação à vida humana, construíram civilizações e enformaram religiões, profundos mistérios, profundos limiares de travessia”.

Este mito serviu de inspiração à literatura de tal forma que se afirma que a “Literatura chorou com a perda de D. Sebastião”.

Encontramos na literatura vários poemas que retratam D. Sebastião. Assim, n’ Os Lusíadas, na “Dedicatória”, Camões atribui-lhe um valor divino, considerando-o “Maravilha fatal da nossa idade”.

Na Mensagem de Fernando Pessoa aparece a figura deste jovem Rei, qual semente do futuro, na qual assenta o sonho visionário do “Quinto Império” semeado de heróis.

Os poemas Pessoanos revelam que o homem deve ser louco para conseguir o que deseja, deve ter um sonho e lutar por ele de forma ambiciosa, caso contrário nada mais será do que “… a besta sadia, Cadáver adiado que procria”, porque, para Pessoa, a loucura é exactamente aquilo que dá ao homem a razão de existir.

Em suma, podemos considerar que a figura deste Rei constitui um autêntico estandarte da Portugalidade. D. Sebastião foi e será um herói lendário da nossa Nação, é nele que se encontra a aura de bravura, a esperança, a loucura e é nele que prevalece intemporalmente a força para continuar a desvendar o futuro.

        

Ana Catarina Brás

Fevereiro de 2006

publicado por novosnavegantes às 22:45
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